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Almost Crimes

Aconteceu o seguinte, segundo relatos: X, de 25 anos, queria contratar serviço de internet em velocidade nem tão lenta – conhecida no Brasil como banda larga -, mas a companhia que oferece esse tipo de serviço não o disponibiliza na região em que X mora. Sim, já temos aqui uma incongruência: a empresa tem todos os direitos, mas pouca obrigação. Pode ter exclusividade de oferecer o serviço, mas simplesmente não o oferece. Bem, prosseguindo…

Obstinado – ah, se todos nós, brasileiros, fôssemos assim! -, X contratou o serviço para a casa de uma amiga e, lá, instalou uma antena que transmite o sinal até a região de X, três quilômetros distante. Em sua casa, X montou uma pequena rede e passou a distribuir o sinal para outros computadores da vizinhança. X costumava cobrar por essa retransmissão e, por isso, foi processado e preso. Segundo as autoridades e a empresa em questão, o crime cometido foi o de “roubo de sinal de internet”.

Existem leis que impedem esse tipo de prática, realmente. E, como bem comentou Alexandre Maron, dono do site em que li sobre o assunto, se alguém alugar um DVD na locadora, chamar uns amigos e cobrar ingresso pela exibição do DVD – seja numa tv de 14 polegadas, seja em um home theater supersurround -, também estará cometendo um crime. Parece absurdo, mas também parece que certos produtos são, mesmo aos nossos olhos – e, portanto, não apenas aos olhos de autoridades e empresas – , mais protegidos que outros. Outra boa observação de Maron é que ninguém vai achar errado comprar litros d’água no Centro e revender na vizinhança do subúrbio. Ou revender pãezinhos.

Eu gostaria de ir além: se X é criminoso, então as lan houses também não seriam? Tá, lan house, ao menos em tese, paga impostos, registros, alvarás etc. Mas e o revendedor de pãozinho-água? Não pagar imposto ou não estar devidamente regularizado no exercício da profissão torna alguém criminoso? Instrutor de academia sem registro no CREF vai preso ou no máximo recebe uma notificação?

Ok, se você achou exagerado o exemplo da lan house, tenho outro: condomínio. Ou vai me dizer que cada kbite que sai da prestadora e chega ao condomínio é checado e devidamente fiscalizado? Já ouviu falar em “gato”?

X não é criminoso e caso a empresa em questão pensasse um pouco, aproveitaria a oportunidade e o nicho criados por X e regulamentaria o acesso naquelas cercanias. Certamente os vizinhos que pagam para acessar uma fatia da conexão iriam se interessar pelo acesso completo. A empresa poderia até pagar uma porcentagem pelo empreendedorismo de X.  Ganharia ela, ganhariam os vizinhos, ganharia X. Mas a realidade não é essa. Empresas que oferecem acesso nem tão lento, a chamada banda larga, não têm preços justos, muitas vezes sequer preços acessíveis a moradores de regiões nem tão favorecidas. Então fica inviável oferecer e fornecer acesso na região de X. Por isso, precisam processar e prender o rapaz.

Mas (a empresa) ganha alguma coisa com isso? Não. E, pior, todos perdem.

PS: o nome do rapaz foi omitido e substituído por X. O artigo foi originalmente publicado na Folha de SP. Alexandre Maron, em seu blog, relatou a história com opinião muito bem fundamentada. Cheguei ao post de Maron através do Kleverson, que linkou post do CrisDias, que linkou o post original de Maron. “Almost Crimes”  é a música que colocou o Broken Social Scene na cena. (Ok, essa podia ter sido evitada)
PS 2: terminado o texto, entrei aqui no blog para postar e a minha conexão já começou a ficar lentíssima. Seria retaliação? 😉

Arquivado em:comportamento, informática

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